Por Sr. Frederico

Carta de despedida,
Ao honorável e gentil ser, sendo pleno em seu afazeres, polido em todo tratamento, venho por meio deste abdicar-me, do direito e daquele pode ser por todos almejado, de forma que tais pessoas que em tal distorção dos sentidos deste que conhecemos pelo nome de alegria.
São muitas as causas que deveras fazem com que me sinta fadigado, por esta labutada vida, quem em todo tempo teima em forçar-me a ponto de desfalecer-me, ainda contrito trago a minha memória, as tais coisas que deveriam encher meu coração de esperança, inspiro-me de tal modo que meus pulmões tornem fôlego, para então retomar por esforço cada um de meus bens, que de assalto foram de mim retirados.

Ainda assim me ponho de pé, caminhando um passo raso de cada vez, sem comprometer-me a sanidade, descubro então uma esquizofrenia mórbida transfigurando minha realidade em algo insípido, mesmo assim continuo sem cessar meus passos, agora menos vagarosos, menos moribundos, porém ofegantes como de quem faltasse o fôlego. muitas expectativas surgem devaneios em grandes medidas, ora, quais são as reais razões para tal momento então? Sigo essa carta em despedida, sem coragem de fazer o que talvez seja o correto, minha mente se esvai em dúvidas, não obtenho foco, estou desorientado pelo medo, minhas certezas não são mais suficientes, com uma súplica que nem alcança minhas cordas vocais, minha aorta latejante, minhas conexões neurais desafiam minha integridade física, uma melancolia sem precedente abaste minhas reflexões a ponto de perder as rédeas das ideias, que não saltam a mente, esse trampolim como diria “Machado”, sequer ousa arremessar os seus. Como a ópera nunca vista, exaurido lanço-me em desespero sem poder caminhar por uns metros, espero que esse salto não me custe a vida.

Como uma inexpressiva tentativa poderia descrever, o que se precisa entender.
Não há a luz da aurora, nem o mistério do crepúsculo, o inverno apenas trouxe o frio, e antes no outono não pude perceber os ventos e as folhas, pois o mundo que me cerca cegou meus olhos, distraído sigo o cotidiano das mesmices, nada novo, sempre o rotineiro e esperado dia, coisas boas, não parecem tão boas assim. Descobrir que existem diversas formas de estar só, acho que nesse universo tenho convivido com cada uma delas.

Hoje sem heróis, lançado ao piso dessa estrada, sinto que não sobraram muitas coisas aqui, talvez seja eu, não sei se posso ser tudo o que gostaria de ser, talvez não tenha escolha, está tudo predestinado, então porque lutar quando é inevitavelmente e irreversível.

Sei que para quem talvez leia não entenda, ou perceba toda crítica, talvez seja demais, quem sabe eu só não me encaixe aonde tanto quero estar, minha mãe sempre me disse que meus pés não tocavam o chão, acredito que essa então seja minha condição invariável, porém se estou lançado ao ar, ou prostrado em terra, o fato é que hoje me sinto como um microrganismo invasor e talvez tudo seja apenas o sistema imunológico repelindo esse vírus.

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